sábado, 1 de junho de 2013

A puberdade em jovens com Síndrome de Down



 A puberdade em jovens com Síndrome de Down

Assim como os outros adolescentes, os portadores de Síndrome de Down experimentam as mesmas mudanças físicas e emocionais no período da puberdade. Os sinais da puberdade começam a se manifestar, normalmente, na mesma época que qualquer outro adolescente, podendo variar em alguns casos. Essas variações, em geral, estão dentro da normalidade.

Os desejos sexuais aparecem com a puberdade e o jovem precisa ser muito bem orientado. Devido à sua imaturidade (na maioria dos casos a maturidade não acompanha a idade cronológica), muitas vezes ele não consegue lidar com tais mudanças.

Segundo um artigo intitulado Aspectos genéticos e sociais da sexualidade em pessoas com Síndrome de Down, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, “entre as pessoas com SD, verificam-se diferentes níveis de maturidade e adequação. Algumas apresentam retardamento mental leve, sendo capazes de lidar com seus impulsos sexuais e relacionamentos como a maioria das pessoas. Em outro extremo estão aquelas que, muitas vezes por sua história de vida, com escassez de tratamentos e estímulos sociais, mais do que pela presença da trissomia do cromossomo 21, são impulsivas, com dificuldades de lidar com a sexualidade (...)”

A impulsividade aliada à imaturidade reflete de maneira preocupante durante a puberdade. Os jovens com S. D. que são impulsivos e imaturos acabam não sabendo diferenciar o comportamento público do particular. Por vezes podem querer exibir publicamente seu corpo, agora transformado, e experimentar as novas sensações que acompanham seu desenvolvimento sexual também em público. A sua dificuldade em entender os limites acaba assustando a todos. Em geral, eles não veem malícia em tais atitudes.

Para poderem ajudar seus filhos, os pais precisam reconhecer e aceitar as mudanças que estão acontecendo. Muitos não querem que eles cresçam e vivenciem as decepções amorosas, rejeição social e outros desafios encontrados em uma sociedade preconceituosa. Acabam, assim, por infantilizá-los, tentando retardar o processo do amadurecimento sexual.

Cabe aos pais reconhecerem que essa mudança é iminente e prepararem-se para ela a fim de poderem orientar adequadamente seus adolescentes.

Veja algumas coisas que podem ser feitas para orientar seu filho ou filha nesse momento tão importante da vida:

1. Lembre-o de que o que está acontecendo com ele é privado. 
Crie um ambiente em seu lar onde ele se sinta livre para expressar-se. Oriente-o a discutir esse tipo de assunto somente com sua família. Como muitos deles não têm muito discernimento sobre o que pode ou o que não pode ser falado, é melhor que seja assim, a fim de evitar que ele cometa excessos.

2. Ensine-o sobre as mudanças pelas quais estão passando de forma clara e objetiva. 
Explique que é normal ele estar tendo ereções espontâneas. Fale sobre os pelos que estão nascendo no corpo e o que isso representa. Vá preparando a menina para sua primeira menstruação antes mesmo de ela chegar. Após a menarca, fale sobre gravidez.

Apesar de a fertilidade ser reduzida em pessoas com S.D. (nos homens mais do que nas mulheres), há casos documentados de reprodução masculina e feminina, onde nasceram filhos com e outros sem a síndrome. Estudos mostram que “quando o casal é formado por pessoa com a trissomia 21 livre e outra sem o distúrbio, há 50% de chances de filhos sem trissomia 21. Quando ambos apresentam a síndrome e são férteis, a possibilidade de progênie normal é reduzida para 25%.”

Fale sobre sexo de uma forma resumida. Você conhece seu filho ou filha mais do que qualquer outra pessoa. Use uma linguagem compreensível para ele ou ela. Tente sanar suas dúvidas e coloque-se à disposição para responder a qualquer uma de suas dúvidas. Passe-lhe segurança.

3. Ensine-o a respeitar o próprio corpo e o de outras pessoas.
A masturbação e as intimidades sexuais levam ao vício e a sentimentos de culpa. Oriente-o a viver cada estágio da vida no tempo certo: primeiro, conhecer o sexo oposto, depois namorar e, quando tiver maturidade suficiente para formar uma família, caso desejem, eles poderão expressar seu amor, com consciência e responsabilidade, através do sexo marital.

4. Previna-o contra abusos sexuais. 
Toda criança precisa ser orientada a fim de não ser um alvo de pedófilos. Os jovens com S. D. precisam receber orientações, de tempos em tempos, sobre isso. Pela ingenuidade eles podem ser vítimas fáceis de abusadores.

5. Ajude-o a ter mais autonomia.
A fim de conquistar seu espaço na sociedade, ele precisa tornar-se o mais independente possível. Por isso, incentive-o a fazer as coisas por si mesmo. Ao vestir-se, fazer a barba, amarrar os cadarços e ir para a escola sozinho, ele se sentirá mais “parecido” com os outros jovens. Talvez ele tenha dificuldade de aprender estas e outras coisas. No entanto, vá treinando-o até que ele consiga.

6. Oriente-o sobre higiene pessoal.
Oriente-o a manter as axilas, os pés e a região pubiana bem higienizados. A partir da puberdade o suor fica com odor mais intenso.

7. Cuide do visual do seu filho. 
Quando eu levava meu filho mais velho, ainda bebê, na APAE, lembro-me de ter visto um jovem com S. D., cuja aparência ficou gravada na minha memória. Ele estava vestido com calça de cós alto (quando já não era mais moda há mais de uma década) e camiseta para dentro da calça. Tanto o corte do cabelo quanto o penteado que fizeram nele, o desfavoreciam extremamente.

Vista bem o seu filho. Faça um corte bonito no cabelo dele. Ele se sentirá mais confiante e não será alvo de piadas e gozações. A fase da adolescência é uma fase em que a necessidade de aceitação é extrema. Faça de tudo para que seu filho se torne um jovem atraente.
Erika Strassburger Borba

Erika Strassburger é uma mãe SUD, bacharel em Administração de Empresas, escritora freelancer e pintora amadora de telas a óleo.


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Envelope para Leitura


Envelope para leitura




Sugestão de materiais:

- 1 folha de papel canson;
- cola;
- algumas tiras de cartolina no tamanho 30 cm x 5 cm;
- canetinhas.
Procedimento:

Dobrar e colar a folha de papel canson de uma maneira que as laterais fiquem abertas e que as tiras de cartolina possam passar por dentro dela. Escrever palavras nas tiras de cartolina e colocar uma de cada vez dentro do envelope.

A leitura acontece mostrando partes da palavra para as crianças. É uma maneira de instigá-las a descobrir qual palavra está escondida.

Exemplos:

Supondo que a palavra escondida seja “sapato”.  Você mostra a primeira letra e pergunta:

- Que letra é essa?

- Qual som ela tem?

- Quem gostaria de dizer qual palavra está escondida?

Presumindo que uma criança responda “sorvete”. Você parabeniza a tentativa e mostra o final da palavra escondida. Que neste caso será a letra “o” e diz:

- Agora temos qual letra?

- Qual som essa letra tem?

- A palavra sorvete que você sugeriu termina com que som?

- Será que a palavra escondida pode ser sorvete?

Você também pode dar pistas.

Exemplo:

- Essa  palavra e o nome de um calçado. Quais calçados vocês conhecem que começam com o som /s/ e terminam com o som /o/?

E assim você vai instigando as crianças a perceberem o início, meio, fim, sílaba inicial, sílaba medial, sílaba final, até que por fim revele a palavra escondida.

Então, gostaram? Espero que sim!!!!  
Fonte:                 Este envelope para leitura eu aprendi com a minha querida amiga Profª. Cleide Machado de Jesus. É excelente para crianças em início do processo de alfabetização ou que estejam apresentando dificuldade na aprendizagem da leitura                                                                                     

terça-feira, 14 de maio de 2013

JOGOS CONFECCIONADOS

JOGOS CONFECCIONADOS PARA SEREM UTILIZADOS COM A MINHA FILHA COM SÍNDROME DE DOWN





















Distúrbios de Aprendizagem

Documentário da HBO - 'Não sei fazer isso, mas sei fazer aquilo' sobre os 'Distúrbios e Dificuldades de Aprendizagem' (parte 2).
Pofessores, pais/responsáveis, fiquem atentos e observem mais, pois os resultados negativos no desenvolvimento escolar de crianças, jovens e adultos podem orientá-los sobre como proceder diante de algumas realidades bastante comuns em casa e nas salas de aula, mas que nem sempre são tratadas de forma adequada.

DISLEXIA

DISLEXIA

O que é?
É uma dificuldade primária do aprendizado abrangendo: leitura, escrita, e soletração ou uma combinação de duas ou três destas dificuldades. Caracteriza-se por alterações quantitativas e qualitativas, total ou parcialmente irreversíveis . É o distúrbio (ou transtorno) do aprendizado mais freqüentemente identificado na sala de aula. Está relacionado, diretamente, à reprovação escolar, sendo causa de 15 % das reprovações. Em nosso meio, entre alunos das séries iniciais (escolas regulares) têm sido identificados problemas em cerca de 8 %. Estima-se que a dislexia atinja 10 a 15 % da população mundial
Quem pode ser afetado?
A dislexia não é o resultado de má alfabetização, desatenção, desmotivação, condição sócio-econômica ou baixa inteligência. Ela pode atingir igualmente pessoas das raças branca, negra ou amarela, ricas e pobres, famosas ou anônimas, pessoas inteligentes ou aquelas mais limitadas.
Qual a causa?
A dislexia tem sido relacionada a fatores genéticos, acometendo pacientes que tenham familiares com problemas fonológicos, mesmo que não apresentem dislexia. As alterações ocorreriam em um gene do cromossomo 6 . A dislexia, em nível cognitivo- lingüístico, reflete um déficit no componente específico da linguagem , o módulo fonológico, implicado no processamento dos sons da fala. Uma criança que tenha um genitor disléxico apresenta um risco importante de apresentar dislexia, sendo que 23 a 65 % delas apresenta o distúrbio.
Um gene recentemente relacionado com a dislexia é chamado de DCDC2. Segundo o Dr. Jeffrey R. Gruen, geneticista da Universidade de Yale, Estados Unidos, ele é ativo nos centros da leitura do cérebro humano.
Outro gene, chamado Robo1, descoberto por Juha Kere, professor de genética molecular do Instituto Karolinska de Estocolmo, é um gene de desenvolvimento que guia conexões, chamadas axônios, entre os dois hemisférios do cérebro.
Pesquisadores dizem que um teste genético para a dislexia pode estar disponível dentro de um ano. Crianças de famílias que têm história da dislexia poderão ser testadas. Se as crianças tiverem o risco genético, elas podem ser colocadas em programas precoces de intervenção.
O que se sente?
Sinais indicadores de dislexia:
A dificuldade de ler, escrever e soletrar mostra-se por dificuldades diferentes em cada faixa etária e acadêmica
Pré-Escola, pré-alfabetização

Aquisição tardia da fala
Pronunciação constantemente errada de algumas sílabas
Crescimento lento do vocabulário
Problemas em seguir rotinas
Dificuldade em aprender cores, números e copiar seu próprio nome
Falta de habilidade para tarefas motoras finas (abotoar, amarrar sapato, ...)
Não conseguir narrar uma história conhecida em seqüência correta
Não memorizar nomes ou símbolos
Dificuldade em pegar uma bola
Início do ensino fundamental - Alfabetização
Dificuldades mais identificadas :

fala.
aprender o alfabeto
planejamento e execução motora de letras e números
preensão do lápis
motricidade fina e do esquema corporal.
separar e seqüenciar sons (ex: p – a – t – o )
habilidades auditivas - rimas
discriminar fonemas de sons semelhantes: t /d; - g / j; - p / b.,
diferenciação de letras com orientação espacial: d /b ;- d / p; - n /u; - m / u pequenas diferenças gráficas: e / a;- j / i;- n / m;- u /v
orientação temporal (ontem – hoje – amanhã, dias da semana, meses do ano)
orientação espacial (lateralidade difusa, confunde a direita e esquerda, embaixo, em cima) execução da letra cursiva
Ensino Fundamental
Dificuldades mais identificadas:

atraso na aquisição das competências da leitura e escrita. Leitura silábica, decifratória. Nível de leitura abaixo do esperado para sua série e idade.
soletração de palavras
ler em voz alta diante da turma
supressão de letras: cavalo /caalo;-. biblioteca/bioteca; - bolacha / boacha
Repetição de sílabas: pássaro / passassaro; camada / camamada
seqüência de letras em palavras Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras (ai-ia; per-pré; fla-fal; me-em).
Fragmentação incorreta: o menino joga bola - omeninojo gabola
planejar, organizar e conseguir terminar as tarefas dentro do tempo
enunciados de problemas matemáticos e figuras geométricas
elaboração de textos escritos expressão através da escrita
compreensão de piadas, provérbios e gírias
seqüências como: meses do ano, dias da semana, alfabeto, tabuada. mapas
copiar do quadro
Ensino Médio
Dificuldades mais identificadas:

Podem ter dificuldade em aprender outros idiomas.
Leitura vagarosa e com muitos erros
Permanência da dificuldade em soletrar palavras mais complexas
Dificuldade em planejar e fazer redações
Dificuldade para reproduzir histórias
Dificuldade nas habilidades de memória
Dificuldade de entender conceitos abstratos
Dificuldade de prestar atenção em detalhes ou, ao contrário, atenção demasiada a pequenos detalhes
Vocabulário empobrecido
Criação de subterfúgios para esconder sua dificuldade
Ensino Superior / Universitário
Dificuldades mais identificadas:

Letra cursiva.
Planejamento e organização.
Horários (adiantam-se, chegam tarde ou esquecem).
Falta do hábito de leitura.
Normalmente tem talentos espaciais (engenheiros, arquitetos, artistas).
Diagnóstico
Os sintomas que podem indicar a dislexia, antes de um diagnóstico multidisciplinar, só indicam um distúrbio de aprendizagem, não confirmam a dislexia. Os sintomas podem ser percebidos em casa mesmo antes da criança chegar na escola. Uma vez identificado o problema de rendimento escolar, deve-se procurar ajuda especializada.
AVALIAÇÃO MULTIDISCIPLINAR
A equipe multidisciplinar, incluindo Psicólogo, Fonoaudiólogo e Psicopedagogo Clínico inicia investigação detalhada e verifica a necessidade do parecer de outros profissionais, como Neurologista, Oftalmologista e outros, conforme o caso. É muito importante o parecer da escola, dos pais, o levantamento do histórico familiar e a evolução do paciente.
Outros fatores deverão ser descartados, como déficit intelectual, disfunções ou deficiências auditivas e visuais, lesões cerebrais (congênitas e adquiridas), desordens afetivas anteriores ao processo de fracasso escolar (com constantes fracassos escolares o disléxico irá apresentar prejuízos emocionais, mas estes são conseqüências, não causa da dislexia).
A equipe multidisciplinar deve verificar todas as possibilidades antes de confirmar ou descartar o diagnóstico de dislexia.
Essa avaliação é importante tanto na identificação das causas das dificuldades apresentadas, quanto permite orientar o encaminhamento adequado para o caso individualizado.
Não existe teste único, patognomônico (sinais/sintomas constantes, caraterísticos da doença) de dislexia.
O diagnóstico deve ser realizado por profissional (ais) treinado (s), empregando-se uma série de testes e observações, em geral, trabalhando em equipe multidisciplinar, que analisará o conjunto de manifestações de dificuldades
Testes auditivos e de visão podem ser os primeiros a serem solicitados.
Entre as avaliações mais solicitadas encontram-se testes:

Cognitivos
Inteligência
Memória auditiva e visual
Discriminação auditiva e visual
Orientação
Fluência verbal
Testes com novas tecnologias
Tratamento após o diagnóstico de Dislexia.
Uma vez diagnosticada a dislexia, segundo as particularidades de cada caso, o encaminhamento orientado permite abordagem mais eficaz e mais proveitosa, pois o profissional que assumir o caso não precisará de um tempo para identificação do problema, bem como terá ainda acesso a pareceres importantes.
Tendo conhecimento das causas das dificuldades, do potencial e a individualidade do paciente, o profissional pode utilizar a linha terapêutica que achar mais conveniente para o caso particular. Os resultados devem surgir de forma progressiva.
Em oposição à opinião de muitos se pode afirmar que o disléxico sempre contorna suas dificuldades e acha seu caminho. O disléxico também tem sua própria lógica e responde bem a situações que estejam associadas a vivências concretas.
A harmonia entre o profissional coordenador e o paciente e sua família podem ser decisivos nos resultados. O mecanismo de programação por etapas, somente passando para a seguinte quando a anterior foi devidamente absorvida, retornando às etapas anteriores sempre que necessário, deve ser bem entendido pelo paciente e familiares
Sistema Cumulativo
Os serviços de educação especial podem incluir auxílio de especialistas, tutorias individuais, aulas especiais diárias. Cada indivíduo tem necessidades diferentes, por isso o plano de tratamento deve ser individualizado. Da mesma forma, é importante o apoio psicológico positivo, já que muitos estudantes com dificuldade de aprendizado têm auto-estima baixa.
Prevenção
Os transtornos de aprendizagem tendem a incidir em famílias e a dislexia é um deles. As famílias afetadas devem fazer o máximo esforço para reconhecer precocemente a existência do problema.
Quando incide em famílias sem antecedentes, o diagnóstico pode ser feito na pré-escola, se os professores detectarem os primeiros sinais. A terapia precoce proporciona os melhores resultados
Mitos que não podem crescer
1- A dislexia é contagiosa?
Não. Ela é usualmente hereditária.
2- Uma pessoa pode ser medianamente disléxica?
Sim. Ninguém apresenta um quadro com todos os sinais de dislexia.
3- A dislexia é uma doença?
Não.
4- A dislexia pode passar sem que se tome alguma providência?
Não. Quanto antes ela é identificada e são tomadas as medidas de tratamento, maiores podem ser os benefícios do tratamento.